Translate

quarta-feira, 30 de setembro de 2026

JESUS EU QUERO. IGREJA EU DISPENSO?

O perigo de tentar viver a fé sozinho

Fonte: Acervo pessoal Até os confins com Sarah


Uma das coisas que meus irmãos me ensinaram foi: bater e se defender!

Brincadeiras à parte, é claro que havia confusão, gritaria e, vez ou outra, minha mãe (pentecostal como só ela), cantava da cozinha um hino bem pacificador, do tipo:

“Queima ele, Jesus! Queima ele! Em nosso meio ele não pode ficar.”

Logo em seguida, distribuía os sermões. Era desse jeitinho.

Com o passar do tempo, Deus, por sua infinita graça, nos fez crescer e amadurecer na percepção da importância de zelar pela paz e pela paciência na convivência.

Crescendo com meus irmãos, aprendi a exercer domínio próprio, a ser criativa, a pedir perdão, a compartilhar, a me importar e também a trabalhar em equipe.

Talvez seja justamente por isso que a família seja uma das melhores escolas de relacionamento que Deus poderia ter criado. 


A FÉ SOLITÁRIA QUE A BÍBLIA NUNCA ENSINOU

Fonte: Acervo pessoal Até os confins com Sarah


Na grande família de Deus, Ele, como Pai, também nos convida a viver em comunhão. Afinal, ninguém foi chamado para caminhar sozinho.

Não é raro encontrar pessoas que começam a se esquivar de qualquer oportunidade de estar em comunhão com outros irmãos:

“Ah, mas eu não preciso ir ao culto. Posso assistir de casa.”

“Ah, mas eu sou a Igreja!”

“Eu não sou muito sociável. Prefiro ficar sozinho.”

“Ah, mas precisa mesmo participar de uma célula?”

Precisamos tomar cuidado para não subverter as verdades bíblicas em desculpas para viver uma fé desconectada da comunidade.

A verdade é que nós somos a Igreja. Gente diferente, com personalidades diferentes, histórias diferentes e, consequentemente, diferentes níveis de tolerância.

E é justamente nesse ambiente que Deus nos ensina a amar, servir e perdoar.

Viver em comunidade nem sempre é confortável. Mas, muitas vezes, é exatamente ali que Deus trabalha aquilo que precisa ser transformado em nós.

Deixe a Palavra te quebrar e refazer. Deixe o Espírito Santo revelar as raízes do ressentimento, da indiferença, do orgulho ou da frieza que podem estar nos afastando da vida em comunidade.


DEUS É PAI DE FAMÍLIAS

Fonte: Acervo pessoal Até os confins com Sarah


Desde o Gênesis, Deus se revela por meio de famílias.

Pense em Abraão. Deus fez promessas a ele, sua família cresceu, tornou-se um povo e, posteriormente, uma nação. 

E não estamos falando de uma família perfeita. Houve conflitos, disputas, erros, arrependimentos e pedidos de perdão.

Ainda assim, Deus continuou trabalhando e se revelando por meio daquele povo.

E hoje Ele continua nos convidando a sentar à mesa com pessoas diferentes de nós, mas unida, sobretudo, por aquilo que Cristo fez e por quem Ele é.

Isso também aparece no final da história.

Em Apocalipse, encontramos a imagem de uma grande multidão, de todas as nações, tribos, povos e línguas, reunida diante de Deus.

Um mundaréu de gente que dedicaram suas vidas para amar Jesus. Gente de todas as parte do mundo, povos, tribos e nações vão estar lá,  vivendo juntos em plena comunhão.

Do início ao fim, a Bíblia apresenta um Deus que é Pai de famílias. Que nos chama para um relacionamento com Ele e também uns com os outros.


“COMO É BOM E AGRADÁVEL...”

Fonte: Acervo pessoal Até os confins com Sarah


Se Deus é Pai de famílias e você deseja um dia morar na Glória, mas despreza a importância de viver em comunidade, eu te pergunto:

Como você, alecrim dourado, espera viver na eternidade com uma multidão de irmãos se, aqui, não consegue conviver com meia dúzia deles?

Escrevendo aos Hebreus, Paulo já observou o mal que esse pensamento individualista pode trazer e escreveu:
"E não deixemos de nos reunir como igreja, segundo o costume de alguns, mas procuremos encorajar uns aos outros, sobretudo agora que vocês veem aproximar-se o Dia." (
Hebreus 10:25 NVI)

No Salmo 133, de Davi, temos a seguinte declaração:

“Como é bom e agradável quando os irmãos convivem em união!”

O salmista compara essa união, ao óleo especial derramado sobre a cabeça de Arão e ao orvalho que desce sobre os montes.

A ideia é de algo precioso, excelente e cheiroso como o óleo naquele contexto; mas também eficiente, útil e essencial, como o orvalho que rega a terra. 

Na bíblia, a figura do óleo em muitas vezes, simboliza o Espírito Santo.

A verdadeira unidade é fruto da ação do Espírito Santo em nós. Caso contrário, estaríamos em apuros.


É por isso que Paulo, em Gálatas 5:22-23, adverte sobre a necessidade do cristão produzir de forma irrestrita, o fruto do Espirito.

A vida no Espírito produz aquilo que nos permite amar, perdoar, suportar, servir e caminhar com pessoas que muitas vezes pensam, agem e reagem de maneira completamente diferente da nossa.

E o salmista conclui:

“Ali o Senhor concede a bênção da vida para sempre.”

O grande desafio de quem já não vê sentindo em congregar, seja justamente passar do: “Eu posso viver sem isso!”

para: “Uau... como é bom viver isso!”

Até chegar ao ponto de cantar com convicção:

“Eu preciso de você, você precisa de mim...”

Ou:

“Somos corpo, assim bem ajustados, totalmente ligados...”

E, de repente, perceber que conviver com aquele ajuntamento de irmãos e ama-los, te levou muito mais pra perto de Deus do que você jamais sozinho chegaria.
Afinal, o Noivo está onde Sua Noiva está.

Uma das coisas mais bonitas da vida cristã é saber que: 

Deus te fez parte de um corpo, que trabalha em comunhão para edificar uns ao outros e levar o Nome de Cristo ainda mais longe.


Até o próximo assunto...

Até os confins!

terça-feira, 29 de setembro de 2026

CHAMADO, VOCAÇÃO E DIREÇÃO: VOCÊ SABE A DIFERENÇA?

TE EXPLICO TUDO AQUI!


Não é raro encontrarmos pessoas confusas em relação ao seu chamado e ao seu ministério.

Ao serem, por exemplo, convidadas para participar de um evangelismo, algumas respondem: “Esse não é o meu chamado”. E logo aparecem as justificativas: “Eu não sei falar muito bem”, “Essa é a função do pessoal do evangelismo” e por aí vai.

É possível que muitas dessas pessoas estejam, de fato, negligenciando a tarefa que Jesus confiou a todos os seus discípulos: anunciar o Evangelho.

Mas também existem pessoas que ainda não entenderam a diferença entre chamado, vocação e direção.

Por isso, achei necessário colocar esses três conceitos em ordem e explicá-los de forma simples e objetiva. Afinal, entender o nosso papel na missão de Deus também faz parte de aprender a obedecê-lo.

Vamos começar do começo?


CHAMADO

         Fonte: Acervo pessoal Até os confins com Sarah


Primeiro, vamos à definição da palavra.

Segundo o dicionário, “chamado” pode significar aquele que foi convocado, convidado ou escolhido; e também a ação de chamar, um chamamento.

Na Bíblia, podemos perceber que Deus chama o ser humano de diferentes maneiras e para diferentes propósitos.

E aqui quero destacar duas dimensões do chamado.


CHAMADO AO RELACIONAMENTO

Fonte: Acervo pessoal Até os confins com Sarah


Antes de pensar no que fazer para Deus, precisamos entender para quem fomos chamados.

A Bíblia diz:

“Fiel é Deus, pelo qual fostes chamados para a comunhão de seu Filho Jesus Cristo, nosso Senhor.”

1 Coríntios 1:9

Antes de sermos chamados para fazer alguma coisa para Deus, somos chamados por Ele para um relacionamento com seu Filho.

Um relacionamento íntimo, constante e profundo.

O próprio Jesus disse:

“Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz o seu senhor; mas tenho-vos chamado amigos, porque tudo quanto ouvi de meu Pai vos tenho dado a conhecer.”

João 15:15

Uau! Isso é muito interessante!

Não adianta querer se empenhar nas tarefas do ministério sem antes conhecer a Cristo.

Podemos até usar o nome de Jesus, mas isso não significa que estaremos falando em nome dele ou seja, debaixo da autoridade dele.

Existe uma diferença enorme entre trabalhar para alguém e caminhar com alguém.

E aqui vai uma curiosidade que aprendi em um episódio do JesusCopy Podcast: a primeira pessoa registrada na Bíblia chamando alguém foi, veja só... Deus!

Depois da queda, registrada em Gênesis 3, Adão e Eva se esconderam da presença do Senhor entre as árvores do jardim.

Então:

“E o Senhor Deus chamou o homem e lhe perguntou: — Onde você está?”

Gênesis 3:9

Aqueles que estavam acostumados a desfrutar diariamente da presença e da comunhão com o Criador agora estavam se escondendo dele.

Mas Deus os chamou.

Ele não faltou ao encontro. Quem se escondeu foi o homem.

E, ainda hoje, Deus continua chamando pessoas para perto dele.

Quando pecamos, nossa tendência pode ser correr para longe. Mas o convite de Deus é para corrermos para Ele. Como diz 1 João 1:9, quando confessamos os nossos pecados, Ele é fiel e justo para nos perdoar e nos purificar de toda injustiça.

Então, antes de perguntar:

“Qual é o meu ministério?”

“Qual é o meu chamado?”

“Para onde Deus quer me enviar?”

Talvez a primeira pergunta seja:

Eu tenho atendido ao chamado de Deus para estar perto dele?


CHAMADO GERAL

Fonte: Acervo pessoal Até os confins com Sarah


Depois de entendermos o chamado ao relacionamento, podemos avançar para aquilo que Deus confiou a todos os seus discípulos.

E aqui entramos em uma parte que interessa diretamente à missão de Deus.

Deus deseja que aqueles que já o conhecem tornem o seu nome conhecido.

E quem Ele chamou para essa tarefa?

Nós.

Seja você ministro de louvor, secretário, instrumentista, intercessor, professor, tia da salinha das crianças, jovem, adolescente ou qualquer outra função dentro da igreja: existe algo que é responsabilidade de todo discípulo de Jesus.

Missões e evangelismo não são apenas um departamento da igreja ou o nome de um culto que acontece uma vez por mês.

Jesus deu à sua Igreja a responsabilidade de anunciar o Evangelho.

É por isso que textos como Mateus 28:19-20 e Marcos 16:15 são tão importantes.

O chamado para testemunhar de Cristo não pertence somente àqueles que possuem “evangelista” escrito no crachá.

A Igreja inteira foi chamada para participar da missão de Deus.

Isso significa testemunhar com palavras e ações, dentro e fora das quatro paredes da igreja, sobre o Evangelho que nos salvou.

No Congresso Internacional de Evangelização Mundial, realizado em Lausanne, na Suíça, em 1974, cristãos de diversas partes do mundo afirmaram, no Pacto de Lausanne, a responsabilidade da Igreja na evangelização mundial:

“A evangelização mundial requer que a igreja inteira leve o evangelho integral ao mundo todo.
A igreja ocupa o ponto central do propósito divino para com o mundo, e é o agente que ele promoveu para difundir o evangelho.
”

E isso nos leva a uma próxima pergunta importante:

Se todos os cristãos possuem esse chamado geral, então como cada um vai cumprir essa missão?

É aqui que entra a vocação.


VOCAÇÃO: O CHAMADO ESPECÍFICO

Fonte: Acervo pessoal Até os confins com Sarah


Sabemos que existe um chamado geral: tornar Jesus conhecido e cooperar com a missão de Deus no mundo.

Mas surge a pergunta:

Como eu vou fazer isso?

É justamente aqui que entra a vocação.

Vocação está relacionada àquilo para o qual Deus chama especificamente cada pessoa para servir.

Observe estes textos:

“Ande cada um segundo o Senhor lhe tem distribuído, cada um conforme Deus o tem chamado. É assim que ordeno em todas as igrejas.”

1 Coríntios 7:17

Paulo também escreve:

“Rogo-vos, pois, eu, o preso do Senhor, que andeis como é digno da vocação com que fostes chamados.”

Efésios 4:1

E em Efésios 4:11-12 encontramos diferentes dons dados por Deus à Igreja:

“E ele mesmo deu uns para apóstolos, e outros para profetas, e outros para evangelistas, e outros para pastores e doutores, querendo o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério, para edificação do corpo de Cristo.”

Percebe a diferença?

O chamado geral é para todos.

A vocação diz respeito à maneira específica pela qual cada pessoa pode servir a Deus e ao próximo dentro desse chamado.

Por exemplo: alguns são vocacionados para ensinar a Palavra; outros para pastorear; outros para implantar igrejas; outros para trabalhar com crianças; outros para a música; outros para a administração; outros para a comunicação.

E isso também pode acontecer por meio da profissão.

Um cristão pode ser vocacionado a exercer sua profissão de advogado, enfermeiro, médico, professor, psicólogo, designer, empresário ou tantas outras possibilidades, utilizando seu trabalho, seus dons e seus talentos como ferramentas para glorificar a Deus e servir às pessoas.

Isso não significa que toda profissão seja automaticamente uma “vocação” no sentido bíblico. Significa que Deus pode usar diferentes dons, habilidades, profissões e oportunidades para que seus filhos cumpram sua missão no mundo.

Por isso, precisamos pedir discernimento ao Espírito Santo.

Qual é a maneira específica pela qual Deus quer que eu sirva no chamado geral?

Essa é uma pergunta de vocação.

E depois de entender o chamado e discernir a vocação, ainda existe outra pergunta:

Onde?

É aqui que entra a direção.


DIREÇÃO

Fonte: Acervo pessoal Até os confins com Sarah


Dos três conceitos, talvez esse seja o mais fácil de entender.

A direção está relacionada ao caminho, ao lugar ou ao contexto específico em que vamos exercer aquilo para o qual fomos chamados e vocacionados.

Imagine alguém que possui vocação para o ministério transcultural.

O próximo passo será perguntar em oração:  “Para onde Deus está me enviando?”

Um missionário pode ser vocacionado para trabalhar com povos não alcançados e, em determinado momento, receber uma direção específica para servir entre um povo no interior da Índia.

Outra pessoa pode entender sua vocação para a área da educação e receber direção para trabalhar em determinada escola.

Outra ainda, pode exercer sua profissão em uma empresa e perceber que aquele ambiente é justamente o campo onde Deus deseja que ela testemunhe de Cristo por um tempo.

Perceba que uma coisa não anula a outra.

Chamado, vocação e direção trabalham juntos.

O chamado ao relacionamento nos leva para perto de Deus.

O chamado geral nos coloca dentro da missão.

A vocação nos ajuda a discernir como podemos servir.

E a direção aponta para onde e em qual contexto vamos exercer aquilo que Deus colocou em nossas mãos.


RESUMINDO 

Fonte: Acervo pessoal Até os confins com Sarah


Podemos resumir assim:

CHAMADO: para quem eu fui chamado?

Para Cristo. Para um relacionamento com Ele e, como discípulo, para participar da sua missão.

VOCAÇÃO: como posso servir?

É a maneira específica pela qual Deus pode usar meus dons, habilidades, profissão e ministério para servir a Ele e às pessoas.

DIREÇÃO: onde e quando devo servir?

É o caminho, o lugar ou o contexto específico em que Deus me conduz para exercer minha vocação.

No fim das contas, podemos guardar esta sequência:   CHAMADO → VOCAÇÃO → DIREÇÃO

Que, conscientes do nosso CHAMADO AO RELACIONAMENTO, nos disponhamos a cumprir o CHAMADO GERAL, utilizando a VOCAÇÃO que Deus nos deu e buscando discernir a DIREÇÃO para onde Ele quer nos conduzir.

Agora ficou mais claro? Espero que sim!!!

Caso queira, se aprofundar melhor em cada conceito, recomendo fortemente um livro que alargou a minha visão sobre o assunto: Quem quer ser um missionário -  VN Maisel.


Até o próximo assunto...

Até os confins!


JESUS EU QUERO. IGREJA EU DISPENSO?